Brincadeiras, passeios, contato com a natureza e novas experiências ajudam a ampliar o repertório visual das crianças e contribuem para o desenvolvimento de diferentes habilidades. Neste mês dedicado às crianças, a atenção também se volta aos cuidados com a visão e à importância de proporcionar ambientes que estimulem o aprendizado e a interação.
Especialista em Oftalmopediatria e vice-presidente da Sociedade Sergipana de Oftalmologia, a Dra. Lusa Reis explica que a visão é uma das principais formas pelas quais a criança conhece o mundo e desenvolve diferentes habilidades. “A visão é uma das portas de entrada para o desenvolvimento da criança. É através da visão que ela aprende com o próximo, com seus pares, e consegue integrar informações importantes para seu desenvolvimento”, afirma.
Na prática, esse processo pode ser estimulado em situações simples, como brincadeiras, passeios e viagens, especialmente quando envolvem contato com a natureza e novos ambientes. Viagens em família, mesmo para destinos próximos, e atividades escolares fora da sala de aula também podem ampliar o repertório visual da criança.
“As experiências visuais acontecem quando a criança brinca com outras crianças, está em ambientes ao ar livre, em contato com a natureza, vê o exemplo dos pais e brinca com quem cuida dela. Ter um ambiente saudável dentro de casa, onde ela possa ver coisas que contribuam para o seu crescimento, são pontos fortes para essas experiências”, explica a especialista.
A médica oftalmologista também orienta os pais a estimular os interesses das crianças, sem sobrecarregar a rotina com cursos e atividades. “Ajudar a criança a fazer arte, tocar um instrumento musical, criar uma coleção de selos, colecionar pedras e fazer experiências científicas pode despertar dons e talentos desconhecidos”, completa.
Atenção às telas
O uso de telas também merece atenção, especialmente nos primeiros anos de vida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece recomendações relacionadas ao tempo de exposição a dispositivos eletrônicos, como televisão, celular e tablet.
Para crianças com menos de dois anos, a orientação é evitar o contato com telas. Entre 2 e 4 anos, o tempo de tela deve ser restrito a, no máximo, uma hora por dia. A partir dos 5 e 6 anos, esse tempo pode chegar a até duas horas diárias, sempre com controle dos responsáveis. “Quanto menos a criança for exposta, na primeira infância, a estímulos visuais que não fazem parte de experiências naturais e não envolvem contato humano, melhor será para o seu desenvolvimento”, orienta a especialista.
Os pais também devem ficar atentos a sinais de dificuldade visual, como estrabismo (desalinhamento entre os olhos), alterações na posição da cabeça e aproximação excessiva de objetos. “Qualquer tipo de desvio após os quatro meses de idade, é sinal que algo não está bem no desenvolvimento visual e, por isso, precisa ser avaliado. A leucocoria, que é aquela mancha branca dentro do olho, também é um sinal de alerta e precisa ser investigada para descartar o retinoblastoma, câncer comum na infância. Em crianças maiores, apertar os olhos para enxergar, fazer posições de cabeça para conseguir ver e se aproximar muito dos objetos também podem ser sinais de baixa visão”, explica a Dra. Lusa.
