Sepse exige atenção aos primeiros sinais de alerta

25 de Setembro de 2026, 06:01

Febre persistente, falta de ar, confusão mental, queda da pressão e piora repentina do estado geral estão entre os sinais que merecem atenção. A sepse ocorre quando uma infecção desencadeia uma resposta desregulada do organismo, capaz de provocar alterações no funcionamento dos órgãos e colocar a vida do paciente em risco. Por isso, reconhecer os sintomas e buscar atendimento médico rapidamente são medidas fundamentais. Cerca de 400 mil adultos e 42 mil crianças desenvolvem sepse por ano no Brasil, segundo estimativas divulgadas pelo Ministério da Saúde.

A médica infectologista e especialista em Medicina Intensiva, Karina Ramalho, que atua em Controle de Infecções, Vigilância Epidemiológica e Segurança do Paciente no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS/HU Brasil), traz alguns esclarecimentos sobre esta situação, ressaltando que a sepse não deve ser confundida com a simples presença de uma infecção. “A infecção é o ponto de partida. Sepse é quando a resposta do organismo à infecção é exagerada e passa a ameaçar a própria vida, provocando disfunção de vários órgãos. Portanto, não é apenas o microrganismo que causa o dano; é também a resposta desregulada do nosso próprio organismo tentando combatê-lo”, diz.

De acordo com Karina Ramalho, a sepse não é uma doença exclusivamente hospitalar. Ela pode começar em qualquer lugar. Uma pneumonia adquirida em casa, uma infecção urinária, uma infecção abdominal ou até determinadas infecções virais podem evoluir para sepse. “No hospital, temos ainda um cenário adicional: as infecções relacionadas à assistência à saúde, que podem ser prevenidas por medidas de segurança e controle de infecção. Portanto, a sepse pode começar em casa, no pronto atendimento ou dentro de um hospital. O que muda é o contexto, não a gravidade potencial”, detalha Karina.

Outro ponto relevante é que embora qualquer pessoa possa desenvolver sepse, alguns grupos apresentam maior risco, como idosos, crianças pequenas, pessoas com câncer ou baixa imunidade, com doenças crônicas ou que passaram recentemente por cirurgias ou internações. Isso, porém, não significa que pessoas sem esses fatores estejam protegidas. 

Infecção generalizada é uma expressão popular

Karina esclarece que o termo ‘infecção generalizada’ não é adequado para descrever a sepse. “Infecção generalizada é uma expressão popular, mas não traduz corretamente o que acontece na sepse. A sepse não exige que a infecção esteja espalhada pelo corpo ou que haja bactéria circulando no sangue. Uma infecção pode estar localizada, por exemplo, no pulmão, no trato urinário ou no abdome, e ainda assim desencadear uma resposta sistêmica desregulada capaz de comprometer órgãos à distância”, pontua.

Sinais que merecem atenção 

Alterações como febre persistente ou que retorna depois de um período de melhora, calafrios, piora do estado geral ou prostração, confusão, sonolência, falta de ar, aumento da frequência respiratória ou cardíaca, queda da pressão, redução do volume de urina e alterações na coloração da pele devem ser observadas. A febre, isoladamente, não é suficiente para indicar sepse, mas a ausência de febre também não deve ser interpretada como sinal de que não existe risco.

O tempo é um fator importante na evolução do paciente. As taxas de sobrevivência estão diretamente ligadas à identificação precoce e ao início rápido do tratamento. A avaliação médica é necessária mesmo quando os sinais ainda parecem discretos. Nas fases iniciais, algumas alterações podem ser sutis e só serem identificadas durante o exame clínico ou por meio de exames laboratoriais. A sepse pode apresentar diferentes níveis de gravidade.

 

 

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