Saúde mental de meninas preocupa em Sergipe, aponta IBGE

30 de Março de 2026, 06:00

Dados de 2024 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgados pelo IBGE, revelam um cenário preocupante para a saúde mental de adolescentes em Sergipe, especialmente entre meninas. Em quase todos os indicadores de bem-estar emocional, elas apresentam percentuais mais altos que os meninos, indicando maior vulnerabilidade a sentimentos como tristeza, irritação, solidão e desesperança. O levantamento considera estudantes do 7º ano ao 3º ano do ensino médio, de escolas públicas e privadas.

Entre os dados mais alarmantes, 33,2% dos estudantes disseram ter tido vontade de se machucar nos 12 meses anteriores à pesquisa (acima da média nacional de 32%). Entre as meninas, o índice chega a 46,5%, contra 19,1% entre os meninos.

O sentimento de que a vida não vale a pena foi relatado por 20,6% dos estudantes em Sergipe — segundo maior percentual do Nordeste e acima das médias regional (19,2%) e nacional (18,5%). Entre as meninas, o índice é de 29%, enquanto entre os meninos é de 11,7%. Nas escolas públicas, o percentual (21,6%) supera o das privadas (16,3%).

A preocupação excessiva atingiu 49,2% dos estudantes sergipanos (próximo à média nacional de 49,7%), mas chega a 60,6% entre meninas e 37,2% entre meninos. Em Aracaju, o índice é de 53,3%. Já a tristeza frequente foi relatada por 30,4% dos alunos (acima da média nacional de 28,9%), sendo 42,3% entre meninas e 17,8% entre meninos.

O sentimento de que ninguém se preocupa com eles foi citado por 27% dos estudantes (acima da média nacional de 26,1%), com diferença entre meninas (34,5%) e meninos (19,1%). Quanto à ausência de amigos próximos, o índice é de 5,2% — maior que o nacional (4,5%) — sendo mais alto entre meninos (6,1%) do que meninas (4,3%). Em Aracaju, cai para 3,9%.

A irritação frequente foi apontada por 42,7% dos estudantes, com destaque para meninas (55,9%) em relação aos meninos (28,6%). Em Aracaju, o índice é de 46%.

Refletindo esse cenário, Sergipe registra 16,2% de autoavaliação negativa da saúde mental — maior percentual do Nordeste e terceiro do país. Entre as meninas, 25,2% avaliam negativamente sua saúde mental, contra 6,7% dos meninos.

Sobre imagem corporal, 59,8% se dizem satisfeitos com o corpo (69,5% dos meninos e 50,7% das meninas). A insatisfação atinge 32,7% das meninas e 16,1% dos meninos. Na autopercepção, 38,3% se consideram magros, 45,6% dentro do padrão e 15,1% acima do peso. Já 40,3% não adotam nenhuma ação em relação ao peso, enquanto 23,2% querem perder, 25,1% ganhar e 10,4% manter.

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