Pesquisa avalia relação entre emagrecimento e câncer de mama

11 de Agosto de 2026, 06:00

Apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2026, em Chicago (EUA), novos estudos trouxeram evidências sobre o possível impacto dos agonistas do GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, na redução do risco de desenvolvimento do câncer de mama. As pesquisas apontam resultados promissores, mas especialistas destacam que ainda são necessárias novas análises para confirmar essa relação.

Um dos trabalhos apresentados avaliou aproximadamente 94 mil mulheres sem histórico prévio da doença. Durante o acompanhamento, cerca de 2 mil participantes desenvolveram câncer de mama. Ao comparar mulheres que utilizaram agonistas do GLP-1 com aquelas que não fizeram uso da medicação, os pesquisadores observaram uma redução de 37% no risco de desenvolvimento do câncer de mama entre as usuárias. Segundo os pesquisadores, esse benefício provavelmente está relacionado à perda de peso promovida pelos medicamentos, já que a obesidade é reconhecida como um dos principais fatores de risco para diversos tipos de câncer, incluindo o de mama.

Outro estudo apresentado na ASCO envolveu 604 pacientes com câncer de mama do subtipo luminal avançado, que receberam tratamento padrão com hormonioterapia associada aos inibidores de ciclina. As pacientes que também utilizaram agonistas do GLP-1 apresentaram um aumento de aproximadamente 30% na sobrevida quando comparadas às mulheres tratadas apenas com a terapia convencional. Os autores destacam, entretanto, que se trata de uma pesquisa exploratória, que precisa ser validada em estudos prospectivos antes que qualquer mudança na prática clínica seja recomendada.

Para a médica mastologista Dra. Paula Saab, os resultados representam um avanço importante na compreensão da relação entre obesidade e câncer de mama, mas exigem interpretação criteriosa. “Os dados apresentados na ASCO são bastante promissores e reforçam algo que a medicina já conhece há muitos anos: o excesso de peso é um importante fator de risco para o desenvolvimento do câncer de mama, especialmente após a menopausa. Ainda assim, é fundamental compreender que esses medicamentos não devem ser utilizados com a finalidade de prevenir o câncer sem indicação médica”, explica.

De acordo com a especialista, os agonistas do GLP-1 têm indicação formal para o tratamento da obesidade e do diabetes em situações específicas, e seu eventual benefício oncológico ainda está sendo investigado. “Neste momento, não podemos afirmar que as canetas emagrecedoras previnem o câncer de mama. O que os estudos sugerem é que, ao controlar a obesidade — um dos fatores modificáveis de risco —, essas medicações podem contribuir para reduzir esse risco em determinados pacientes. São resultados extremamente relevantes, mas que ainda precisam ser confirmados por novas pesquisas”, destaca.

A mastologista ressalta que a principal estratégia de combate ao câncer de mama continua sendo a combinação entre hábitos saudáveis e diagnóstico precoce. “Manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente, evitar o consumo excessivo de álcool, não fumar e realizar o acompanhamento médico periódico continuam sendo as medidas mais eficazes para reduzir o risco da doença. Além disso, a mamografia e os exames indicados para cada faixa etária permanecem fundamentais para identificar o câncer em fases iniciais, quando as chances de cura são significativamente maiores”, orienta.

Os estudos apresentados na ASCO 2026 fortalecem uma área de pesquisa que vem ganhando espaço na oncologia e indicam que os agonistas do GLP-1 poderão, no futuro, desempenhar um papel mais amplo além do controle da diabetes e da obesidade. Entretanto, especialistas reforçam que, por enquanto, essas medicações não devem ser utilizadas com o objetivo exclusivo de prevenir ou tratar o câncer de mama fora das indicações médicas estabelecidas, até que novas evidências científicas confirmem sua eficácia e segurança nessa finalidade.

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